*********Produção Bibliográfica - MED
URI Permanente para esta coleçãohttps://repositorio.bahiana.edu.br/handle/123456789/9751
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Item Análise dos padrões da manometria anorretal de alta resolução em crianças e adolescentes com sintomas urinários do trato urinário inferior associados ou não com constipação funcional(2025) SARMENTO, Maria Tereza de Sá; ABREU, Glícia Estevam de; BARROSO JÚNIOR, UbirajaraIntrodução: A disfunção do trato urinário inferior (DTUI), causada por uma anormalidade no funcionamento do trato urinário inferior, e a constipação funcional, coexistem na disfunção vésico-intestinal (DVI). A manometria anorretal de alta-resolução (MAAR) avalia a função dos músculos do ânus e do reto, verificando suas pressões e a coordenação necessária ao controle fecal e processo de evacuação, podendo identificar problemas relacionados à evacuação e a presença de dissinergia pélvica. Objetivo: Descrever os parâmetros encontrados na MAAR em crianças e adolescentes com sintomas urinários associados ou não com constipação. Métodos: Foi realizado um estudo transversal, entre janeiro de 2022 e janeiro de 2025, com crianças e adolescentes assistidas no Centro de Distúrbios Miccionais da Infância (CEDIMI) com diagnóstico de enurese monossintmática, DTUI ou DVI. Resultados: Foram analisados os parâmetros manométricos de 33 pacientes com sintomas urinários, sendo que 9 tinham diagnóstico de enurese monossintomática, 12 com diagnóstico de DTUI sem constipação e 12 com DVI. Considerando toda a amostra (n=33), a dissinergia do tipo 1 foi a mais prevalente, sendo mais evidente os grupos com DTUI sem constipação e DVI. Na comparação dos parâmetros manométricos entre crianças com DTUI e aquelas com DVI, observou-se que a pressão de repouso apresentou valores mais baixos no grupo DVI (p=0,03). Em relação a amostra pediátrica sem sintomas urinários ou fecais de Banasiuk et al (2018), foi observado medianas de escores padronizados de pressão de contração voluntária inferiores e volume para RIRA superiores. Conclusão: O estudo evidencia a importância da MAAR como ferramenta diagnóstica complementar na população pediátrica, podendo auxiliar na estratificação de pacientes e na definição de estratégias terapêuticas mais direcionadas, contribuindo para um manejo multimodal mais eficaz de crianças e adolescentes com DTUI e DVIItem O cuidador familiar de idosos com demência: entre o cuidado e a sobrecarga(2025) CARVALHO, Maria Luiza Simões de; ALELUIA, Iêda Maria BarbosaIntrodução: A demência, um Transtorno Neurocognitivo (TNC), compromete funções como memória e raciocínio, afetando majoritariamente idosos. Diante da limitação de assistência institucional, o cuidado desses idosos geralmente recai sobre seus familiares, que assumem tarefas desde atividades diárias até a gestão emocional, muitas vezes sem suporte ou remuneração. Assim, o avanço da doença traz um impacto significativo na vida desses cuidadores, alterando suas rotinas, relações pessoais e, em muitos casos, condições financeiras. Muitos abandonam seus empregos para se dedicarem integralmente ao cuidado, enfrentando sobrecarga física, emocional e social, o que acarreta custos indiretos relacionados à saúde, pois esses cuidadores muitas vezes acabam negligenciando seu próprio bem-estar. Considerando o envelhecimento populacional e o aumento da prevalência da demência, é essencial compreender as condições enfrentadas pelos cuidadores familiares a fim de subsidiar políticas públicas e estratégias de suporte que promovam práticas de cuidado mais integrais a essa população. Objetivos: O objetivo primário deste estudo foi analisar a sobrecarga física e mental enfrentada por cuidadores familiares de idosos com demência. Como objetivos secundários, buscou-se identificar as demandas de cuidado e autocuidado desses cuidadores, compreender o “luto simbólico” frequentemente relatado por eles, investigar os aspectos positivos e negativos relacionados ao papel do cuidador e examinar os fatores envolvidos na normalização da condição de cuidador no ambiente familiar, com ênfase no papel feminino. Metodologia: Esse estudo apresenta uma abordagem mista, com métodos qualitativos e quantitativos, e desenho observacional tipo descritivo. Os participantes, cuidadores familiares de idosos com demência de Salvador-BA, foram recrutados por amostragem "bola de neve". Foram utilizados o Inventário de Sobrecarga de Zarit (ZBI), aplicado presencialmente ou online, para análise quantitativa de sobrecarga e variáveis demográficas, e entrevistas semiestruturadas para explorar qualitativamente as experiências e os desafios desses cuidadores. A análise qualitativa foi realizada com base na Análise de Conteúdo de Bardin, enquanto a análise quantitativa foi realizada através do Excel (versão 2016). Resultados: Este estudo contou com 11 cuidadores familiares de idosos com demência. O perfil sociodemográfico revelou uma predominância do gênero feminino (81,8%), com idade média de 57 anos, sendo a maioria filhos(as) (81,8%). O tempo médio de cuidado foi de 8 anos. A avaliação da sobrecarga, por meio do ZBI, apontou uma pontuação média de 61,1, indicando níveis predominantemente elevados. Da análise de conteúdo emergiram, em maior número de unidades de registro, as seguintes categorias: os “Recursos de enfrentamento e resiliência”, as questões de “Sobrecarga e Suporte Familiar”, e as “Reflexões sobre perdas e vínculos”. Conclusão: O cuidado familiar ao idoso com demência é uma experiência complexa, marcada por uma sobrecarga multifacetada (física, emocional e social), mas que coexiste com importantes recursos de enfrentamento e resiliência. O estudo reforça a necessidade de políticas públicas e intervenções de saúde que ofereçam suporte estrutural e emocional aos cuidadores, visando não apenas reduzir a sobrecarga, mas também fortalecer suas estratégias de resiliência para um cuidado equitativo e sustentável.Item Efeito da dieta na cognição de indivíduos com demência: uma revisão sistemática(2025) OLIVEIRA, Maria Fernanda Feltrin de; LADEIA, Ana Marice TeixeiraIntrodução: Demências são síndromes clínicas caracterizadas pela deterioração das funções cerebrais superiores sem rebaixamento do nível de consciência. Nesse contexto, a dieta surge como uma possibilidade de fator influenciador da cognição em pacientes com demências em diversos ensaios clínicos. Objetivos: Avaliar a influência da dieta sobre a função cognitiva dos pacientes com demências. Métodos: Uma revisão sistemática de literatura foi desenvolvida em concordância com o PRISMA 2020 e sob o número de registro PROSPERO CRD42025623108. A busca bibliográfica foi conduzida utilizando as bases de dados MEDLINE/Pubmed, Scielo, Cochrane e LILACS. Resultados: A busca resultou em 383 artigos e 5 estudos foram incluídos na revisão. Todos os estudos incluídos foram ensaios clínicos randomizados duplo-cegos controlados e, neles, Souvenaid, o extrato de Spirulina maxima e o pó de mirtilo mostraram, com significância estatística, efetividade na melhora objetiva da cognição em pessoas com demência. Souvenaid mostrou em 24 meses 35% menos piora (P=0,005) no escore Clinical Dementia Rating - Sum of Boxes (CDR-SB), 65% de redução do declínio cognitivo (P = 0.014) no NTB 5 item-composite e 76% de redução do declínio cognitivo no domínio memória do NTB (P = 0.008). Em 24 meses, mostrou ainda 45% menos piora nos parâmetros do CDR-SB. Extrato de Spirulina maxima provocou melhora nos domínios de aprendizado visual (P=0,007) e memória visual de trabalho (P=0,024) e o pó de mirtilo provocou diminuição de sintomas cognitivos no dia a dia (P<0,05), medido pelo Dysexecutive Questionnaire. Chama a atenção a variação nos tamanhos amostrais dos estudos incluídos. Discussão: Os estudos encontraram melhores resultados cognitivos em pacientes em estágios mais precoces de desenvolvimento da síndrome demencial. Ademais, os achados desta revisão sistemática concordam com dados da literatura pré-existente acerca do tema, exceto para o caso do extrato de Spirulina maxima, que apresenta evidências menos volumosas. Conclusão: A mudança dos hábitos alimentares, especificamente com o uso de Souvenaid, pó de mirtilo ou Spirulina maxima, pode ter um efeito positivo sobre a cognição em indivíduos com demência e, dessa forma, a dieta pode atuar como coadjuvante ao tratamento medicamentoso.Item Acurácia de dois testes diagnósticos na classificação da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC): uma comparação entre as escalas GOLD e mMRC.(2025) MACHADO, Maria Eduarda Teixeira Fernandes; CAMELIER, Aquiles AssunçãoIntrodução: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) configura-se como uma das principais causas de morbimortalidade no mundo, caracterizada por limitação persistente do fluxo aéreo, inflamação crônica das vias respiratórias e impacto expressivo na qualidade de vida. Sua magnitude epidemiológica e o custo social associado reforçam a necessidade de aprimorar os métodos de avaliação clínica e funcional, especialmente no que se refere à mensuração de sintomas e à estratificação dos pacientes. Nesse contexto, instrumentos como o COPD Assessment Test (CAT) e a escala Modified Medical Research Council (mMRC) são amplamente empregados, embora ainda existam divergências quanto à equivalência entre seus pontos de corte. Objetivos: O presente estudo teve como objetivo identificar, a partir da escala mMRC, o ponto de corte mais adequado para a escala CAT, utilizando a área sob a curva ROC (Receiver Operating Characteristic). De forma específica, buscou-se avaliar a concordância entre os instrumentos considerando os pontos de corte tradicionais (mMRC ≥2 e CAT ≥10) e um novo limiar proposto, além de analisar o impacto dessas variações na classificação dos pacientes segundo o sistema GOLD-ABE. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, analítico, baseado em dados secundários provenientes de um banco de dados de 167 pacientes com diagnóstico prévio de DPOC, acompanhados em um centro de referência em Pneumologia do Estado da Bahia e avaliados em um Laboratório de Fisiologia do Exercício de uma universidade estadual. Foram incluídos indivíduos com idade ≥40 anos, estáveis clinicamente e diagnosticados conforme as diretrizes GOLD. As informações coletadas incluíram variáveis sociodemográficas, clínicas, funcionais e de sintomas obtidas por meio dos questionários CAT e mMRC, ambos validados para o português do Brasil. A análise estatística foi realizada no software SPSS (versão 30.0), empregando-se testes paramétricos e não paramétricos, além da curva ROC para determinação do ponto de corte ótimo do CAT, considerando significância estatística de p < 0,05. Resultados: A curva ROC demonstrou excelente capacidade discriminativa do CAT em relação à mMRC (AUC = 0,819; IC95%: 0,753–0,875; p < 0,0001), identificando o ponto de corte CAT = 14 como o de melhor desempenho, com sensibilidade de 73,96% e especificidade de 76,06%. A adoção desse novo ponto reduziu a superestimação de pacientes classificados como sintomáticos, resultando em reclassificação mais equilibrada entre os grupos GOLD. Conclusão Conclui-se que o ponto de corte CAT >14 apresenta melhor acurácia para predizer dispneia significativa (mMRC ≥2), sugerindo maior coerência entre os instrumentos e aprimorando a estratificação sintomática de pacientes com DPOC. Os achados reforçam a importância de revisões críticas nos critérios utilizados pelas diretrizes internacionais, contribuindo para uma abordagem mais precisa e individualizada no manejo clínico da doença.Item Comparação da glicemia de 1 hora e de 2 horas no teste oral de tolerância à glicose no diagnóstico das disglicemias em mulheres com excesso de peso(2025) ARAÚJO, Maria Eduarda de Lima; LIMA, Maria de LourdesIntrodução: O diabetes é uma doença metabólica crônica, ocorrendo quando há excesso de glicose no sangue, que, a longo prazo, leva a consideráveis prejuízos para todo o corpo, sendo o tipo 2 associado à obesidade. O diagnóstico do diabetes é laboratorial, seja através da glicemia de jejum ou do Teste Oral de Tolerância à Glicose (TTGO). Recentemente, algumas sociedades incluíram a glicemia de 1 hora no TOTG como parâmetro diagnóstico do DM. Considerando a crescente prevalência mundial da doença e a necessidade de diagnóstico precoce, a pesquisa busca avaliar se a aferição em 1 hora em mulheres com excesso de peso pode oferecer maior sensibilidade e praticidade sem perda de acurácia. Objetivo: O trabalho teve como objetivo comparar os resultados das glicemias de 1h e 2h no TTGO no diagnóstico de pré-diabetes e diabetes em mulheres com excesso de peso, descrevendo as frequências diagnósticas e as características clínicas e laboratoriais das pacientes com resultados concordantes e discordantes. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional, transversal, descritivo e analítico, realizado no Ambulatório de Estudo do Peso em Excesso (PEPE) do Ambulatório Docente Assistencial da Bahiana (ADAB), em Salvador, Bahia. Foram revisados prontuários de 113 mulheres com mais de 18 anos atendidas entre 2009 e 2024, sem diagnóstico prévio de diabetes. As informações foram coletadas a partir de dados clínicos, antropométricos e laboratoriais, e analisadas estatisticamente pelo programa SPSS. Resultados: Os resultados demonstraram que a frequência de diagnóstico de pré-diabetes e diabetes foi maior quando utilizada a glicemia de 1 hora (38,1% e 10,6%, respectivamente) em comparação à de 2 horas (34,5% e 5,3%). A concordância diagnóstica entre os dois momentos do teste foi moderada para pré-diabetes - os dois momentos do teste diagnosticaram, juntos, 27 indivíduos (23,9%), com coeficiente Kappa de 0,465 e p = 0,000 - e desprezível para diabetes - simultaneamente, os dois momentos do teste diagnosticaram 2 indivíduos (1,8%), com coeficiente Kappa de 0,163 e p = 0,063. Embora 52 pacientes tenham apresentado valores dentro da faixa de normalidade tanto no tempo de 1 hora quanto no de 2 horas, 11 desses indivíduos apresentaram níveis de hemoglobina glicada (HbA1c) acima de 5,7%. Pacientes com discordância entre os tempos (n=28) apresentaram maior idade, glicemia de jejum, glicemias de 1h e 2h e hemoglobina glicada, além de maior prevalência de dislipidemia e pré-diabetes prévia. Conclusão: Conclui-se que a glicemia de 1h no TTGO apresentou maior sensibilidade e frequência diagnóstica para pré-diabetes e diabetes em comparação à de 2h, mostrando-se um método superior para a população estudada. Além disso, esse parâmetro pode aprimorar o rastreamento e o diagnóstico precoce, contribuir para a prevenção de complicações e otimizar o tempo e a eficiência no atendimento em saúde.Item Suplementação com ômega 3 para auxiliar no tratamento da dor em mulheres com endometriose: uma revisão sistemática(2025) HESSE, Maria Eduarda Maia; OLIVEIRA, Paula MatosIntrodução: A endometriose é uma doença inflamatória crônica caracterizada pela presença de tecido semelhante ao endométrio fora da cavidade uterina, causando dor pélvica intensa e infertilidade. O ômega-3, por suas propriedades anti-inflamatórias e imunomoduladoras, tem sido estudado como possível adjuvante terapêutico no manejo da dor associada à endometriose. Objetivo: Avaliar os efeitos da suplementação com ômega-3 no controle da dor em mulheres com endometriose. Métodos: Foi realizada uma revisão sistemática conforme as diretrizes do PRISMA, com buscas nas bases PubMed, Cochrane Library e EMBASE, incluindo ensaios clínicos publicados entre 2010 e 2024. Foram selecionados estudos que investigaram a suplementação de ômega-3, isoladamente ou associada a outros compostos, em mulheres com diagnóstico confirmado de endometriose. Resultados: Cinco ensaios clínicos randomizados preencheram os critérios de inclusão. Os resultados foram heterogêneos: 60% dos estudos incluídos relataram redução significativa da dor e, 40% deles, relatam melhora na qualidade de vida, enquanto outros não encontraram diferenças estatísticas em relação ao placebo. A eficácia variou conforme a dose, duração da suplementação e associação com outros nutrientes. Todos os estudos relataram boa tolerabilidade e baixa incidência de efeitos adversos. Conclusão: A suplementação com ômega-3 mostra-se uma alternativa promissora e segura no manejo da dor em mulheres com endometriose, podendo atuar como terapia adjuvante aos tratamentos convencionais. Contudo, são necessários ensaios clínicos mais robustos, com maior padronização metodológica, para confirmar sua eficácia e definir protocolos ideais de uso.Item Análise das variantes genéticas germinativas associadas à síndrome de lynch na Bahia: um estudo transversal(2025) ALVES, Maria Eduarda Amorim Vieira; MIGUEL, Diego Santana Chaves GeraldoO câncer colorretal (CCR) é o terceiro câncer mais comum e a segunda principal causa de mortes relacionadas ao câncer em todo o mundo. Aproximadamente 10% dos casos de CCR estão ligados a variantes hereditárias da linha germinativa. Compreender as predisposições genéticas regionais é crucial para o desenvolvimento de estratégias de medicina personalizada. Este estudo tem como objetivo descrever variantes patogênicas da linha germinativa associadas a síndromes poliposas e não poliposas em indivíduos da Bahia, Brasil. Um estudo observacional descritivo, foi conduzido em 3.100 probandos de um laboratório privado em Salvador, Bahia, entre agosto de 2017 e fevereiro de 2023. Os probandos foram submetidos a Sequenciamento de Nova Geração (NGS) visando 37 genes. Variantes classificadas como patogênicas (P) ou provavelmente patogênicas (PP) em 11 genes de penetrância alta/moderada foram analisadas. Entre os 3.100 probandos, 97 (3,12%) apresentaram variantes P/PP. A síndrome de não polipose (SNP) foi observada em 50 casos (1,61%), envolvendo predominantemente os genes MSH2 e MLH1. Notavelmente, uma nova variante, MLH1 c.1127_1130dup, foi identificada. Este estudo destaca a diversidade genética na predisposição ao câncer colorretal na Bahia, ressaltando a necessidade de triagem genética regional direcionada e estratégias de saúde personalizadas. A identificação de variantes patogênicas recorrentes sugere possível ancestralidade compartilhada entre os indivíduos, oferecendo subsídios para futuras políticas de aconselhamento genético e saúde pública.Item Perfil epidemiológico de sífilis adquirida, em adolescentes, no estado da Bahia, entre os anos de 2013 e 2023.(2025) GOMES, Marco Antônio Almeida; BROWNE, Ericka SouzaIntrodução: A sífilis adquirida é um relevante problema de saúde pública, na Bahia e no Brasil, que afeta especialmente adolescentes, grupo populacional marcado por vulnerabilidades sociais, comportamentais e biológicas. Objetivo: Descrever o perfil epidemiológico da sífilis adquirida em adolescentes, no estado da Bahia, entre 2013 e 2023. Metodologia: Estudo de agregados, tipo séries temporais, descritivo e retrospectivo, utilizando dados secundários do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), analisando taxas de detecção por macrorregião da Bahia, variáveis sociodemográficas, variáveis de confirmação de casos, evolução clínica e desfechos em saúde. Resultados: Foi evidenciado 6.275 notificações no período, com predomínio da faixa etária de 15 a 19 anos, sexo feminino, ensino médio completo e incompleto, em indivíduos autodeclarados pardos e pretos. Observou-se crescimento progressivo em todas as macrorregiões do estado, com destaque para a Leste, que apresentou maior número absoluto de casos, e para o Extremo-Sul, que registrou o crescimento mais abrupto, com a maior taxa de detecção em 2023. Constatou-se elevada proporção de registros ignorados ou em branco em diversas variáveis, principalmente na escolaridade e evolução clínica, o que representa limitação importante para a análise. A maioria dos casos teve critério diagnóstico laboratorial e evolução para cura, com raros óbitos. Conclusão: A sífilis adquirida em adolescentes na Bahia apresentou tendência ascendente no intervalo temporal, demandando fortalecimento da atenção primária à saúde, qualificação da vigilância epidemiológica e implementação de políticas públicas intersetoriais voltadas à educação sexual integral, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e redução das desigualdades sociais e raciais que intensificam a vulnerabilidade dos adolescentes.Item Prematuridade e alergia à proteína do leite de vaca: uma revisão sistemática.(2025) OLIVEIRA, Luma Pires de; CARVALHO, Magnólia Magalhães deItem Análise das variantes genéticas germinativas em nf1 e nf2 Causadoras de neurofibromatose na Bahia(2025) COSTA, Luíza Cajado; MIGUEL, Diego Santana Chaves GeraldoIntrodução: A relação das variantes genéticas patogênicas com as manifestações fenotípicas ainda é, em muitos aspectos, desconhecida no que se refere à neurofibromatose. Nesse contexto, a análise dessas variantes é extremamente relevante, pois se constitui alicerce fundamental para a compreensão e manejo da doença. Objetivo: Descrever e relatar as variantes patogênicas germinativas de NF1 e NF2 associadas à neurofibromatose na Bahia. Metodologia: Trata-se de estudo observacional, tipo corte transversal, de caráter descritivo. A amostra estudada se baseia nos dados genéticos obtidos de painel de sequenciamento de 37 genes associados a cânceres hereditários oriundos de 3.100 probandos encaminhados para este teste genético após serem triados por seus médicos assistentes. Foram selecionadas as características principais das variantes patogênicas e provavelmente patogênicas encontradas no período de agosto de 2017 a maio de 2023 em laboratório privado de médio porte em Salvador/Bahia. Os dados extraídos foram sequenciados a partir da técnica de Sequenciamento de Nova Geração- NGS, pelo exame de painel de risco hereditário de câncer, englobando 37 genes, incluindo NF1 e NF2. Posteriormente, armazenados em banco de dados do software SOPHIA DDM, sendo analisados. Resultados: Dentre os 3100 indivíduos, foram identificadas variantes patogênicas em heterozigose nos genes NF1 ou NF2 em 19 (0,6%), sendo 18 relacionados com NF1 e apenas um com NF2. Foram encontradas 14 variantes distintas de NF1, sendo a variante c.5425C>T a de maior prevalência (3 indivíduos). Em NF2, foi identificada apenas a variante c.829del, nunca descrita na literatura. Além disso, foram encontrados 4 pacientes com variantes patogênicas novas no gene NF1. Conclusão: O estudo constatou a frequência amostral de NF1 de 1:172 probandos, sendo sua prevalência variando de 1:2000-3.500 habitantes, dependendo da população estudada. Além disso, a frequência amostral de NF2 foi de 1:3100 probandos, sendo sua prevalência mundial estimada em 1:50.000 indivíduos. Essas prevalências encontradas estão dissociadas da realidade mundial, pois a amostra foi selecionada por uma equipe de médicos especialistas que encaminharam apenas os pacientes com forte suspeita clínica para testagem genética. Com isso, faz-se necessário realizar novos estudos para ampliar a amostra e associá-la a variáveis clínicas, a fim de detectar possíveis fatores preditores de prognóstico e resposta terapêutica.Item Mortalidade por causas externas em menores de 14 anos Na Bahia no período de 2010 a 2023(2025) COELHO, Luísa Lapa Pinto; ANDRADE, Alcina Marta de SouzaIntrodução: As causas externas configuram-se como causas não fisiológicas de morbimortalidade, e são consideradas causas evitáveis. As causas externas são influenciadas por fatores ambientais, sociais e econômicos e na Bahia a mortalidade entre os indivíduos menores de 14 anos em decorrência dessas causas são expressivas e representam um problema para a saúde pública. Objetivo: Analisar a tendência da mortalidade por causas externas em menores de 14 anos na Bahia no período entre 2010 e 2023. Método: Foi realizado um estudo descritivo observacional de série temporal, utilizando dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) alojados no site da Secretária da Saúde do Estado da Bahia (SESAB), cobrindo os anos de 2010 a 2023. Foram analisados os óbitos por causas externas em menores de 14 anos, por variáveis biológicas e sociodemográficas. Realizou-se análise descritiva das variáveis no Excel e regressão linear simples para avaliar tendência do coeficiente de mortalidade no SPSS versão 23.0. Resultados: No período estudado, foram registrados 5.751 óbitos por causas externas em menores de 14 anos. A maioria dos óbitos foi entre indivíduos do sexo masculino, de 10 a 14 anos, pardos, com escolaridade não definida e na macrorregião de saúde Leste. Os coeficientes de mortalidade apontaram para uma tendência de redução geral do risco de morrer por causas externas nessa faixa etária, principalmente no sexo masculino. Conclusão: As causas externas apresentam impacto significativo na mortalidade de crianças e adolescentes na Bahia, contudo, no período analisado a tendência da mortalidade por causas externas na faixa etária de menores de 14 anos foi de redução geral, apresentando significância estatística para grande parte das variáveis estudadasItem Manifestação do quadro clínico asmático em pacientes pediátricos durante a pandemia de COVID-19: uma revisão sistemática(2025) RAPOSO, Luís Henrique Ferreira; MACHADO, César GarciaIntrodução: A asma é uma das doenças respiratórias crônicas mais prevalentes na infância, e sua interação com infecções virais respiratórias, como o SARS-CoV-2, tornou-se uma preocupação relevante durante a pandemia de COVID-19. Objetivo: Analisar as manifestações clínicas da asma em pacientes pediátricos durante a pandemia. Metodologia: Realizou-se uma revisão sistemática de literatura utilizando a base de dados do PubMed entre fevereiro e maio de 2025 e o protocolo PRISMA. Foram identificados 76 estudos publicados entre 2020 e 2024. A partir disso, utilizando os critérios de inclusão e exclusão, foram selecionados 7 estudos para uma avaliação detalhada. Assim, com a posterior aplicação dos critérios de elegibilidade e avaliação metodológica pelo checklist STROBE, 4 artigos atingiram pontuação superior a 70% e compuseram a amostra final. Resultados: A maioria dos estudos demonstrou redução nas exacerbações e hospitalizações por asma durante os períodos de maior isolamento social, atribuída à menor exposição a vírus respiratórios e poluentes. Um dos estudos indicou ausência de alterações significativas na função pulmonar após infecção por SARS-CoV-2, enquanto outro relatou aumento das crises asmáticas durante a onda Omicron, especialmente em crianças com asma mal controlada. Conclusão: A pandemia exerceu efeitos multifatoriais sobre a asma pediátrica, mostrando-se protetora nas fases iniciais e com aumento de exacerbações na fase Omicron. Sendo assim, esses achados reforçam a importância do controle contínuo da doença, do acompanhamento clínico regular e de estratégias preventivas para reduzir riscos de descompensação em períodos de alta circulação viral.Item Qualidade de sono na população em situação de rua - revisão sistemática(2025) MORAES JUNIOR, Luciano Silva; SALLES, CristinaIntrodução: Desde 2016, o número de pessoas em situação de rua tem aumentado todos os anos. Dessas pessoas, cerca de 60,7% dormiam em abrigos ou acomodações temporárias, enquanto 39,3% permaneciam desabrigadas. O ambiente em que se dorme afeta a quantidade e a qualidade do sono. Nesse contexto, a população desabrigada apresenta maior risco de má qualidade do sono, devido a exposição a intemperes climáticas, iluminação inadequada, ruído ambiente, violências e locais desconfortáveis. Objetivo: Avaliar a qualidade de sono na população em situação de rua. Metodologia: : As buscas nas fontes de dados eletrônicas MEDLINE/ PubMed, Embase e The Cochrane Library foram realizadas por meio da combinação dos seguintes descritores: sleep; Ill-Housed Person; homeless; Shelterless; Unhoused; Street People. Os seguintes critérios de inclusão foram adotados: estudos que envolveram pessoas em situação de rua avaliadas em relação a qualidade de sono por métodos subjetivos, através do Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh (PSQI), ou métodos objetivos, por meio da avaliação pela polissonografia tipo I. Os critérios de exclusão adotados foram: indivíduos hospitalizados. Resultados: Das 5.600 referências encontradas pela estratégia de busca, 6 artigos foram selecionados. Apenas um estudo avaliou a qualidade do sono dos seus participantes de modo objetivo. O restante realizou uma análise exclusivamente subjetiva. A população analisada foi composta por indivíduos com idade média variando entre 29,8 ± 8,8 e 58,0 anos, dentre os quais a prevalência de sono de má qualidade — definida por escores superiores a 5 no PSQI — variou de 32,8% a 71,9%. A duração do sono observada entre a população em situação de rua neste estudo foi inferior a 7 horas. Conclusões: Tendo em vista o crescimento generalizado do número de pessoas em situação de rua e a reconhecida má qualidade do sono observada nessa população, são necessários esforços voltados à melhoria da qualidade de sono na população desabrigada.Item Análise das internações e gastos públicos com fraturas de fêmur em pessoas idosas na Bahia: impactos, perspectivas e prevenção(2025) ALMEIDA, Luccas Gama de Sousa e; JAMBEIRO, Jorge Eduardo de SchoucairINTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional tem se consolidado como fenômeno global e crescente, implicando desafios significativos para os sistemas de saúde, especialmente quanto à vulnerabilidade de idosos a quedas e suas consequências, como as fraturas de fêmur. OBJETIVO: analisar as internações e os gastos públicos decorrentes de fraturas de fêmur em pessoas idosas na Bahia, no período de 2013 a 2023, identificando o perfil epidemiológico dos pacientes e os impactos econômicos para o Sistema único de Saúde. MÉTODOS: Trata-se de um estudo observacional, ecológico, retrospectivo, descritivo, utilizando dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/DATASUS). Foram incluídos registros de internações de pacientes com 60 anos ou mais, categorizados por sexo, faixa etária e raça/cor. RESULTADOS: Ocorreram 29.723 internações no período, apontando para o predomínio de casos impactando pessoas do sexo feminino (65,7%) e da faixa etária de 80 anos ou mais, grupo que apresentou risco de 7,8 vezes maior de internação e 34,6 vezes maior de óbito em relação a idosos de 60 a 69 anos. O custo total das internações foi de R$79.018.780,85, representando 2,5% dos gastos hospitalares com idosos no estado, com média de permanência hospitalar de 9,3 dias e taxa de mortalidade de 4,54%. CONCLUSÃO: as fraturas de fêmur configuram um relevante problema de saúde pública, com repercussões clínicas, econômicas e sociais expressivas. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção de quedas, à promoção da saúde óssea e ao fortalecimento da atenção primária, bem como de estratégias de reorganização e ampliação do acesso a serviços ortopédicos, a fim de reduzir internações, custos e mortalidade, promovendo maior qualidade de vida e autonomia à população baiana.Item Internações por queimaduras e corrosões em crianças e adolescentes no sistema único de saúde em Salvador-Bahia. 2013-2024(2025) HORA, Lucas Matias; CAMPOS, José Humberto OliveiraIntrodução: As queimaduras representam um importante problema de saúde pública, com elevada morbimortalidade, especialmente entre crianças. A compreensão do perfil epidemiológico dessas lesões é fundamental para a formulação de estratégias preventivas e para a otimização dos recursos do sistema de saúde. Objetivos: Analisar o perfil epidemiológico das internações hospitalares por queimaduras no município de Salvador, Bahia, entre os anos de 2013 e 2024, com ênfase na faixa etária pediátrica e nos custos relacionados ao tratamento. Metodologia: Estudo descritivo retrospectivo, baseado na análise de dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS). Foram coletadas informações referentes ao número de internações, distribuição por faixa etária, taxa de letalidade e custos hospitalares durante o período analisado. Resultados: A faixa etária mais acometida foi a de 1 a 4 anos, com 2.322 internações. Crianças com menos de 1 ano apresentaram uma taxa de letalidade de 0,70% (2 óbitos em 286 internações), evidenciando maior vulnerabilidade. Observou-se uma tendência de aumento no número de internações e nos custos hospitalares ao longo dos anos, especialmente em 2023. O valor total gasto com internações por queimaduras no período foi de R$ 7.543.630,27. Conclusão: Os dados evidenciam que a faixa etária mais acometida por queimaduras é de 1 a 4 anos, com predominância no sexo masculino. Adolescentes de 15 a 19 anos apresentaram a maior taxa de letalidade, enquanto menores de 1 ano e a faixa de 1 a 4 anos apresentaram taxas mais baixas. Observou-se ainda variação no número de internações, no tempo médio de permanência hospitalar e nos custos ao longo do período estudado, especialmente em 2023, refletindo a magnitude do impacto das queimaduras em crianças e adolescentes no município de Salvador.Item Prevalência da deficiência de G6PD na população brasileira: uma revisão sistemática(2025) SANTOS, Lucas Fernandes; SANTIAGO, Mittermayer BarretoIntrodução: A deficiência de glicose-6-fosfato desidrogenase (G6PD) é caracterizada por uma mutação nos genes decodificadores das enzimas responsáveis pela desoxidação celular, essa alteração leva as hemácias a possuírem uma maior sensibilidade ao estresse oxidativo, o que permite um risco elevado de ocorrer anemia hemolítica em pacientes em uso de fava, certas medicações e outros fatores oxidativos. Objetivos: O atual estudo buscou primeiramente estimar a prevalência da G6PD na população brasileira por meio da revisão de artigos que avaliaram a presença da doença, além disso, também foram avaliadas as suas mutações, variabilidade de acordo com o sexo e o método empregado em cada estudo. Metodologia: Para a metodologia do estudo, foi realizada uma revisão sistemática da literatura nas bases de dados Cochrane, Pubmed e BVS em busca de artigos que apresentaram a prevalência da G6PD no contexto brasileiro. Resultados: Neste estudo foram identificados 19 artigos, onde foi encontrada uma prevalência geral da deficiência de G6PD de 6,4% na população brasileira, sendo uma prevalência de 4,95% em homens e 3,27% entre os artigos que avaliavam o sexo. Conclusão: A presente revisão permite concluir que a prevalência de deficiência de G6PD na população brasileira é alta e se assemelha àquela observada em outras regiões com histórico de escravidão e tráfico negreiro.Item Impactos do uso de canabidiol em pacientes pediátricos com epilepsia refratária – uma revisão sistemática(2025) SILVA, João Vitor Freitas; MIRANDA, Marlene Barreto SantosIntrodução: A epilepsia refratária em pacientes pediátricos representa um desafio clínico significativo, com impactos profundos no desenvolvimento neuropsicomotor e na qualidade de vida. O canabidiol (CBD) emergiu como uma alternativa terapêutica promissora para casos resistentes aos tratamentos convencionais. Objetivo: Avaliar os impactos do uso de canabidiol sobre a frequência e intensidade das crises epilépticas e o perfil de segurança em pacientes pediátricos com epilepsia refratária, com base em evidências de ensaios clínicos randomizados. Metodologia: Foi conduzida uma revisão sistemática da literatura, com buscas nas bases de dados PubMed, Scielo e Cochrane Library. Foram incluídos quatro ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo que investigaram o uso de CBD em crianças e adolescentes com epilepsia refratária, principalmente as síndromes de Dravet e Lennox-Gastaut. Resultados: Foram identificados 19 estudos, resultando em 4 após aplicação dos critérios de elegibilidade. Os estudos analisados demonstraram de forma consistente que o CBD, como terapia adjuvante em doses de 10 a 20 mg/kg/dia, promoveu uma redução estatisticamente significativa na frequência de crises convulsivas em comparação com o placebo. O perfil de segurança foi considerado aceitável, sendo os efeitos adversos mais comuns sonolência, diarreia e perda de apetite, geralmente de intensidade leve a moderada. Embora não avaliado por instrumentos formais, houve relatos de melhora subjetiva no desenvolvimento neuropsicomotor e na interação social. Conclusão: As evidências confirmam que o canabidiol pode ser considerado uma opção terapêutica eficaz e segura para a redução de crises em pacientes pediátricos com epilepsias graves e refratárias, representando um avanço importante no manejo clínico desta população. Contudo, pesquisas futuras são imperativas para avaliar a segurança e a eficácia do canabidiol a longo prazo, elucidar seus plenos mecanismos de ação, identificar biomarcadores de resposta e medir seu impacto sobre o neurodesenvolvimento e a qualidade de vida, consolidando sua aplicação clínica.Item Impacto dos indicadores sociais na mortalidade hospitalar por neoplasias do sistema nervoso central em pacientes pediátricos no sistema único de saúde no Brasil de 2013 – 2023(2025) OLIVEIRA, João Vitor Alkmin Ferraz de; VIEIRA, Eduardo VarjãoIntrodução: Os tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) são a segunda maior incidência e a principal causa de mortalidade entre os cânceres na população pediátrica. Apesar da relevância, existem lacunas no conhecimento sobre o perfil epidemiológico e a assistência a esses pacientes no país, especialmente em relação ao impacto dos indicadores sociais na taxa de mortalidade hospitalar desses pacientes atendidos no Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivos: Analisar as internações e os óbitos hospitalares por neoplasias malignas do SNC em crianças e adolescentes (0 a 19 anos) atendidos pelo SUS no Brasil, no período de 2013 a 2023, correlacionando as taxas de mortalidade hospitalar com indicadores socioeconômicos regionais (Índice de Gini, IDHM e PIB). Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e temporal com dados de morbidade e mortalidade hospitalar do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS - DATASUS) e indicadores sociais para o período de 2013 a 2023. Foi calculada a correlação de Spearman (ρ) entre a taxa de mortalidade hospitalar e o Índice de Gini, o IDHM e o PIB das cinco macrorregiões brasileiras. Resultados: Foram registradas 43.760 internações e 2.340 óbitos hospitalares por neoplasias do SNC. As regiões Norte e Nordeste, com os piores indicadores sociais, apresentaram as menores taxas de internação e as maiores taxas de mortalidade hospitalar. Em contraste, as regiões Sul e Sudeste registraram maior incidência e menor mortalidade. O teste de correlação de Spearman revelou uma correlação positiva moderada com o Índice de Gini (ρ =0.678) e uma correlação inversa forte com o IDHM (ρ =-0.590), com valores de p<0.05. O PIB apresentou uma correlação positiva moderada (ρ =-0.401), porém estatisticamente limítrofe (p=0,057). Conclusão: As desigualdades regionais no Brasil se refletem nos desfechos oncológicos pediátricos, indicando que a equidade social (Gini e IDHM) é um preditor mais robusto de mortalidade do que a riqueza regional (PIB). As baixas taxas de internação em regiões mais vulneráveis sugerem subnotificação e barreiras de acesso, enquanto as altas taxas de mortalidade revelam iniquidades na qualidade e na oportunidade do cuidado especializado.Item Síndrome Respiratória Aguda por Covis-19 e por Influenza no Brasil: evolução de 2020 a 2024(2025) TRINDADE, João Victor Gonçalves; MARINHO, Jamocyr MouraIntrodução: A Síndrome Respiratória Aguda grave consiste em um quadro de síndrome gripal associado a pelo menos um sinal de alarme, como dispneia, dor torácica, cianose central ou saturação de oxigênio inferior a 95%, sendo uma complicação de alta morbimortalidade de doenças virais como a Covid-19 e a Influenza. Objetivo: Avaliar a evolução da Síndrome Respiratória Aguda Grave no Brasil no período de 2020 a 2024. Metodologia: Estudo transversal de dados secundários colhidos no SIVEP-Gripe sobre número de casos e óbitos de SRAG por Sars-cov-2 ou por Influenza, além de dados populacionais pelo IBGE, para traçar os medidores de incidência, letalidade e mortalidade nos resultados. Resultados: A incidência de SRAG entre as etiologias analisadas se apresentou em sentidos opostos, tendo uma redução de 95,75% por Covid, enquanto aumento de 90,9% por Influenza. O Covid-19 apresentou a maior taxa de letalidade para a SRAG durante todos os anos analisados, quando comparado à Influenza, apresentando significativa redução nos anos pós-pandêmicos. Tanto a incidência quanto a mortalidade da SRAG apresentaram picos durante a pandemia e queda acentuada após esse período. Conclusão: Foi concluído que a SRAG foi muito moldada por sua etiologia nesse período, principalmente à custa do Covid-19, uma vez que sua incidência e letalidade foram consoantes com a incidência e mortalidade da síndrome no Brasil nesses anos, abrindo margem para interpretações e hipóteses, como o impacto da vacinação para a Covid-19 e mutações no Sars-cov-2, finalizando a série histórica com uma queda nos índices da Covid-19 e um aumento da Influenza, reforçando a importância de se atentar para o melhor controle sanitário da síndrome pela prevenção dessas etiologias.Item Associação entre excesso de peso e o comportamento dos episódios vaso-oclusivos em indivíduos com anemia falciforme: revisão sistemática(2025) CARDOSO, João Victor de Souza; BOA SORTE, NeyINTRODUÇÃO: A anemia falciforme é uma doença genética grave caracterizada por alterações estruturais nos eritrócitos, o que promove episódios vasooclusivos (EVO) que afetam intensamente a qualidade de vida dos pacientes. Embora o excesso de peso e a obesidade sejam condições reconhecidamente associadas à inflamação crônica e à disfunção vascular, poucos estudos têm investigado sua possível influência na frequência e gravidade dos EVO em indivíduos com anemia falciforme. OBJETIVO: Avaliar a associação entre o excesso de peso e o comportamento dos episódios vaso-oclusivos em indivíduos com anemia falciforme. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura, realizada nas bases PubMed, EMBASE, Scopus, Cochrane, LILACS, SciELO e Web of Science, abrangendo publicações entre 1994 e 2024. Foram incluídos estudos observacionais com pacientes diagnosticados com a forma homozigótica da doença (HbSS), que apresentavam dados antropométricos e relato de EVO. A qualidade metodológica foi avaliada por meio das ferramentas de análise de risco de viés do Joanna Briggs Institute (JBI), com análise qualitativa descritiva dos achados. RESULTADOS: Dos 1.235 estudos inicialmente identificados, 9 preencheram os critérios de inclusão, totalizando 657 pacientes avaliados. Os achados demonstraram que tanto o excesso de peso quanto a desnutrição estão associados a padrões distintos de expressão dos EVO. Estudos apontaram maior frequência de crises dolorosas e internações entre indivíduos com obesidade, enquanto a desnutrição foi associada à maior gravidade da doença. No entanto, dois estudos não encontraram associação significativa entre IMC e frequência dos EVO, evidenciando heterogeneidade metodológica. CONCLUSÃO: Os dados sugerem que o estado nutricional, especialmente os extremos de IMC, pode influenciar o comportamento dos episódios vaso-oclusivos na anemia falciforme. A obesidade parece contribuir para o aumento da frequência e intensidade das crises, embora resultados contraditórios indiquem a necessidade de mais estudos robustos sobre o tema.