Perfil epidemiológico dos pacientes atendidos por intoxicação exógena pelo serviço de atendimento móvel de urgência, na cidade de Salvador no ano de 2022
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Introdução: A intoxicação exógena constitui um relevante problema de saúde pública mundial, associada a alta morbimortalidade e expressiva demanda nos serviços de urgência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) desempenha papel essencial nesse contexto, ao oferecer atendimento pré-hospitalar ágil e especializado, possibilitando intervenções precoces que reduzem complicações e o risco de óbito diante de quadros de intoxicação aguda. Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico dos pacientes atendidos por intoxicação exógena pelo SAMU na cidade de Salvador, Bahia, no ano de 2022. Metodologia: Estudo transversal, descritivo e quantitativo, baseado em dados secundários do banco de dados SAMU+, referentes aos atendimentos realizados em 2022. Foram incluídos os registros classificados como “intoxicação exógena”. As variáveis analisadas compreenderam sexo, faixa etária, classificação de risco, conduta médica, reclassificação, tempo de triagem e distribuição temporal. Resultados: Foram registrados 542 atendimentos por intoxicação exógena. A maioria dos casos ocorreu entre adultos jovens (21 a 40 anos; 46,9%), com leve predomínio do sexo masculino (52,0%). Houve associação significante entre sexo e reclassificação (p < 0,001), com o predomínio de homens nos casos de “álcool e drogas” (61,0%) e de mulheres em “intoxicação exógena, peçonhas e tóxicos” (68,5%). A classificação de risco mais frequente foi a amarela (54,6%), seguida da vermelha (26,6%). A conduta médica predominante foi o encaminhamento hospitalar (57%), significantemente associada à gravidade clínica (p = 0,009). O tempo médio de triagem foi de 227,9 segundos, acima do limite recomendado, com associação significativa entre tempo de triagem e classificação de risco (p = 0,022). Conclusão: A intoxicação exógena em Salvador foi predominante entre adultos jovens e homens, em casos relacionados ao uso de álcool e drogas pelos homens, e intoxicações por outros tóxicos por mulheres. O tempo de triagem acima do ideal e a alta proporção de casos graves reforçam a necessidade de aprimoramento e capacitação contínua das equipes e fortalecimento das políticas públicas de prevenção e educação em saúde.
Descrição
Palavras-chave
Intoxicação exógena, Epidemiologia, Atendimento pré-hospitalar, SAMU, Saúde pública.