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Submissões Recentes

Item
Saúde mental na atenção primária em ambulatório docente assistencial – Busca de estratégia para melhoria do cuidado
(2025-03-31) SILVA, Bruno Reis da; MENEZES, Marta Silva; SILVA, Mary Gomes; AGUIAR, Carolina Villa Nova; FEITOSA, Caroline Alves; JESUS, Washington Luiz Abreu de
Introdução: A saúde mental é uma das principais preocupações, no âmbito mundial, no campo da saúde pública, com destaque para um cenário marcado pelo aumento significativo de transtornos mentais, como ansiedade, depressão e outros distúrbios relacionados. A Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que cerca de 1 bilhão de pessoas viviam com algum transtorno mental em 2019, um número que aumentou substancialmente durante a pandemia de COVID-19. Nesse contexto, devido ao crescente reconhecimento de seu impacto na qualidade de vida os serviços da Atenção Primaria à Saúde têm empreendido esforços para oferecer estratégias acessíveis e eficazes, por ser o ponto de entrada nos sistemas de saúde que desempenha papel fundamental na promoção de um cuidado mais holístico e centrado no paciente. Objetivo: Propor uma estratégia para aprimorar a gestão do cuidado oferecido a pacientes com indícios de transtornos mentais em um ambulatório de Atenção Primária à Saúde docente-assistencial. Método: Trata-se de uma pesquisa observacional, tipo corte transversal, analítico, com dados secundários. Foi realizada a análise de dados dos prontuários de pacientes atendidos no ambulatório docente assistencial da comunidade (AC) da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), atendidos entre janeiro de 2022 e janeiro de 2023. Das 2131 ocorrências de atendimento no período estabelecido, para o cálculo amostral foi utilizado o OpenEpi (disponível em www.openepi.com), em que foi estimado amostra de 326 consultas, considerando um intervalo de confiança de 95%, destes foram coletados dados de 292 consultas. A amostra foi do tipo probabilística. Como critérios de inclusão foram elegíveis pacientes maiores de 18 anos que apresentassem queixa ou diagnosticados com ansiedade, depressão, insônia e/ou transtornos de personalidade. Os dados foram analisados no Programa SPSS (Statistical Package for the Social Science), sendo utilizados frequências e percentuais para apresentação das variáveis categóricas e, média, desvio padrão e/ou mediana e intervalo interquartil para variáveis continuas, a depender do padrão de normalidade, que foi avaliado através do teste Shapiro Wilk. Para comparação de médias independentes foi aplicado o teste T e Student e de qui-quadrado para comparar proporções das variáveis categóricas. O nível de significância estatística adotado foi valor de p < 0,05. Resultados: A partir dos resultados foi possível verificar uma prevalência significativa de transtornos mentais, atingindo 24,7% dos pacientes. Os transtornos mais comuns foram a ansiedade (44,4%), depressão (23,7%) e distúrbios de personalidade (5,5%). O estudo revelou, ainda, uma predominância do sexo feminino (90%) no grupo com transtornos mentais, corroborando com a literatura. A análise sociodemográfica mostrou uma diferença estatisticamente significativa na média de idade entre os grupos, sendo o grupo com transtornos mentais mais jovem (52 ± 14,6) em comparação ao grupo sem transtornos (58 ± 15,8), p = 0,003. Conclusão: Conclui-se que a Atenção Primária à Saúde deve estar plenamente apta ao acompanhamento dos transtornos mentais, oferecendo capacitação as equipes de saúde para lidar com essa demanda crescente. Assim propõe-se a implementação de um modelo educacional que poderá contribuir significativamente para a melhoria do seguimento destes pacientes, tendo em vista o público alvo (graduandos, residentes e preceptoria), na perspectiva de melhoria da qualidade de vida dos pacientes atendidos.
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Eventos adversos e segunda vítima: repercussões emocionais e profissionais na equipe de enfermagem
(2025) ALVES, Jaddy Kelly Matheus; AGUIAR, Carolina Villa Nova; SIMONI, Eliane Maria; SILVA, Mary Gomes; REIS, Almerinda Luedy; VALADÃO, Patricia Aparecida da Silva
Objetivo: Analisar as repercussões emocionais, profissionais e organizacionais decorrentes do envolvimento de profissionais de enfermagem como segunda vítima. Métodos: Estudo misto (quantitativo e qualitativo), observacional, tipo corte transversal descritivo e o qualitativo exploratório, realizado em hospital filantrópico de Salvador-BA, entre dezembro de 2024 e fevereiro de 2025. A coleta foi realizada de forma digital através de dois questionários, sendo um para caracterização profissional e a escala SVEST-R. A análise de dados quantitativo se deu através do software SPSS 2.0 e qualitativo por Bardin. Resultados: Participaram do estudo 115 profissionais de enfermagem, a maioria dos participantes eram técnicos de enfermagem (68,7%), com predominância feminina (93%), faixa etária entre 31 e 40 anos (40,7%) e até 10 anos de experiência. Quedas foi o evento adverso mais prevalente (33,9%) e falhas envolvendo dieta apresentaram a menor incidência (9,6%). Anterior ao estudo, 66,1% desconheciam o termo “segunda vítima”. Em relação a escala SVEST-R, o domínio “Apoio de Supervisores” obteve maior mediana, enquanto “Apoio de Colegas” apresentou os menores escores. As opções de apoio de maior preferência dos profissionais foram Afastamento imediato, Local tranquilo, Aconselhamento e Diálogo com direção. Técnicos de enfermagem apresentaram escores significativamente mais elevados em “Resiliência” (p=0,001), enquanto enfermeiros preferiram o apoio de contato disponível 24h/dia (p=0,038). Relatos qualitativos destacaram repercussões psicológicas (culpa, medo, tristeza) e percepção de autoeficácia, associadas à busca por melhoria profissional. Considerações finais: Os achados evidenciam impactos psicossociais relevantes da vivência de EA entre profissionais de enfermagem, como sofrimento emocional, percepção de autoeficácia, níveis variados de resiliência e influência de apoio emocional,reforçando a necessidade de estratégias institucionais de apoio, fortalecimento da cultura de segurança e promoção de ambientes organizacionais não punitivos.
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Aplicação de machine learning na caracterização de fatores transcricionais e vias moleculares associadas à esquizofrenia
(2025) SILVA, Rebeca Rebouças da Cunha; ANDRADE, Bruno de Bezerril; QUEIROZ, Artur Lopo Trancoso de; LIMA, Cassio dos Santos; SCHUCH, Viviane; LOPES, Icaro Santos
Introdução: A esquizofrenia é um transtorno neuropsiquiátrico de etiologia ainda pouco compreendida, caracterizado por disfunções comportamentais, emocionais e cognitivas. Embora avanços tenham sido feitos na identificação de fatores associados à doença, os mecanismos moleculares permanecem pouco definidos. Este trabalho caracterizou fatores transcricionais e vias moleculares associadas à esquizofrenia, com o objetivo de ampliar a compreensão de sua base biológica. Métodos: Foram analisados dados públicos de expressão genética, contendo amostras do córtex pré frontal do cérebro (post mortem) e do sangue periférico. Após critérios de elegibilidade e verificações de qualidade, 17 conjuntos de dados foram incluídos, provenientes de seis tipos de amostra diferentes: tecido cerebral (n = 6), neurônios isolados (n = 5), sangue total (n = 2), células mononucleares do sangue periférico (n = 2), leucócitos (n = 1) e linfócitos (n = 1). Quatro conjuntos de dados cerebrais foram definidos como conjunto de descoberta. Genes diferencialmente expressos (DEGs) foram identificados comparando pacientes com esquizofrenia e controle, sendo posteriormente usados na análise de enriquecimento funcional. Por fim, foi aplicado técnicas de seleção de características para identificar os DEGs mais informativos para a classificação de esquizofrenia, e posteriormente foi avaliada sua performance em dados de outros tecidos. Resultados: Foram identificados 532 DEGs. A aplicação de machine learning revelou três genes (HUWE1, PTGDS e RPL31) como os mais informativos para discriminar eficazmente indivíduos com esquizofrenia e controle. O desempenho do modelo foi validado em outros tecidos, apresentando AUC (>72%) em cérebro, sangue total, PMBC e leucócitos. A análise de enriquecimento revelou um potencial ligação com vias biológicas neurodegenerativas. Conclusão: A integração de dados de expressão gênica com ferramentas de seleção de características permitiu a identificação de marcadores transcricionais consistentes da esquizofrenia em diferentes tipos de tecidos. Esses achados permitiram expandir o conhecimento da fisiopatologia da esquizofrenia e para a compreensão dos processos biológicos compartilhados entre distúrbios neuropsiquiátricos e neurodegenerativos.
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Práticas de simulação no ensino da nutrologia no curso de medicina
(2025) SANT’ANA FILHO, Valdir Cerqueira de; MENEZES, Marta Silva; BARROS, Rinaldo Antunes; JESUS, ashlngton Lutz Abreu de; CUNHA, Andre Gusmão; SILVA, Mary Gomes
A Nutrologia, especialidade médica que explora a relação entre nutrientes e doenças, vem ganhando crescente relevância frente ao aumento de doenças crônicas associadas a comportamentos alimentares inadequados. Apesar de seu impacto significativo na saúde pública e nos custos assistenciais, o ensino da Nutrologia na formação médica é frequentemente negligenciado, levando à insegurança dos recém-formados em fornecer orientação nutricional. Diante desse cenário, estratégias inovadoras como a simulação emergem como ferramenta promissora para aprimorar o aprendizado e desenvolver competências clínicas. Este estudo teve como objetivo geral avaliar a inserção da simulação clínica para ensino da Nutrologia na formação do médico generalista, estruturada por competências, em uma instituição de ensino superior na Bahia. Especificamente, buscou identificar o conhecimento dos estudantes de Medicina em Nutrologia antes do internato e a percepção do aprendizado após atividade de simulação clínica. Trata-se de um estudo de intervenção quase experimental (não randomizado, do tipo antes e depois) realizado com 116 estudantes do 9º semestre de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Os dados foram coletados por meio de questionários online, aplicados em dois momentos: antes e após uma intervenção educacional que consistiu em uma trilha pedagógica assíncrona com videoaulas e uma atividade presencial de simulação clínica de duas horas, focada na aplicação prática de conceitos de Nutrologia. A análise estatística utilizou o teste de Wilcoxon para comparar os escores antes e depois da intervenção, com nível de significância de p < 0,05. Os resultados demonstraram que 75,81% dos estudantes previstos concluíram todas as etapas. O perfil sociodemográfico da amostra revelou uma média de idade de 23,7 anos e predominância feminina (71,2%). Houve um aumento estatisticamente significante (p<0,001) na segurança percebida pelos estudantes em relação ao conceito de Nutrologia e à sua aplicação no cotidiano do médico generalista, bem como na identificação de riscos nutricionais e fornecimento de orientações nutricionais básicas. Observou-se também uma mudança significativa na percepção da importância da Nutrologia na graduação, com os estudantes indicando a necessidade de maior exposição ao tema e de treinamento específico. Em relação à percepção do aprendizado, cinco dos onze itens apresentaram melhora estatisticamente significante: compreensão da idade como fator de risco isolado para desnutrição, a via oral como primeira via alimentar a ser avaliada, o papel dos suplementos orais, o risco nutricional do paciente jovem e eutrófico pós-trauma e o uso do trato gastrointestinal como via alimentar primária. Em alguns casos, essa variação foi de concordância parcial para total, indicando uma maior convicção em conceitos já conhecidos. Os estudantes também demonstraram forte valorização do trabalho interprofissional. Conclui-se que a simulação clínica representa uma ferramenta pedagógica eficaz para preencher lacunas no ensino da Nutrologia, aumentando a segurança e confiança dos futuros médicos. A pesquisa reforça a urgência de integrar o conhecimento de Nutrologia de forma mais robusta nos currículos de graduação, por meio de metodologias ativas e da ampliação da carga horária, visando uma formação médica mais completa e capacitada para a promoção da saúde e o tratamento eficaz de pacientes, com impacto positivo tanto na atenção hospitalar quanto na atenção primária à saúde, e incentivando a manutenção do aprendizado a longo prazo.
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Fluxograma de assistência pré-hospitalar para pacientes com suspeita de hemorragia digestiva alta no serviço móvel de urgência
(2025) MONTEIRO, Erik Lafitt Tavares; AGUIAR, Carolina Villa Nova; MATOS, Marcos Antônio Almeida; DIAS, Cristtane Marla Carvalho Costa; GOULARDINS, Jullana Barbosa; CUNHA, Andre Gusmão
Introdução: A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma condição gastrointestinal grave, com altas taxas morbidade, mortalidade e hospitalização em todo o mundo, especialmente em idosos com comorbidades como hipertensão arterial e uso de antinflamatórios não esteroidais ou aspirina. O manejo rápido e sistematizado é essencial para estabilização, controle do sangramento e prevenção de complicações. Embora existam sólidos protocolos hospitalares, existe lacuna na assistência préhospitalar desses pacientes. Este estudo propõe um fluxograma para orientar as equipes de atendimento inicial/pré-hospitalar de urgência a pacientes com suspeita de HDA. Objetivos: Compreender as práticas de assistência pré-hospitalar para pacientes com hemorragia digestiva atendidos no serviço móvel de urgência e elaborar um fluxograma de assistência pré-hospitalar para o atendimento a casos de hemorragia digestiva alta no âmbito do serviço público de urgência. Método: trata-se de um estudo observacional, de corte transversal e abordagem quantitativa, realizado por meio de pesquisa retrospectiva com dados secundários provenientes das ocorrências registradas pelo SAMU de Salvador (Bahia, Brasil) no ano de 2022. Foram incluídos todos os pacientes que acionaram o serviço pelo número 192 com sintomas sugestivos de hemorragia digestiva. Após refinamento dos registros, analisaram-se variáveis como idade, sexo, comorbidades, queixa clínica, anamnese, exame físico, sinais vitais, condutas orientadas e desfecho da ocorrência. A análise estatística foi realizada no software SPSS, com aplicação do Teste de Shapiro-Wilk para definição de normalidade e do Teste Qui-Quadrado de Pearson para associação entre variáveis, considerando p<0,05 como significativo. Na segunda etapa, desenvolveu-se um fluxograma de assistência pré-hospitalar para HDA, fundamentado nos achados do estudo, em diretrizes nacionais e internacionais, utilizando o método ABCDE. Resultados: Foram analisados 189 atendimentos pré-hospitalares registrados pelo SAMU de Salvador em 2022, com média de idade de 65,5 anos e predominância do sexo masculino (60,3%). As comorbidades mais comuns foram hipertensão arterial (34,9%) e etilismo (22,2%). Hematêmese foi a queixa principal (69,8%) e sinais de choque hipovolêmico ocorreram em 41,8%, sendo tratados principalmente com cristaloides (86,7%). A administração de IBPs foi observada em apenas 24% dos casos com HDA inferida. A mortalidade foi de 2,6%, com 95,2% dos pacientes removidos para unidades de referência. Os achados reforçam a importância de um fluxograma sistematizado para o manejo da HDA no ambiente pré-hospitalar, considerando o perfil clínico, as comorbidades, o uso de medicamentos ulcerogênicos e as limitações encontradas no registro e execução das condutas. Conclusão: O estudo evidencia a importância de um atendimento pré-hospitalar otimizado na hemorragia digestiva alta, com foco no reconhecimento precoce de sinais de gravidade, na adoção de condutas iniciais adequadas e no rápido encaminhamento dos pacientes. Os achados reforçam a necessidade de protocolos específicos, visando reduzir complicações e mortalidade.