Caracterização do perfil clínico e epidemiológico no contexto de agregação familiar em indivíduos infectados por htlv-1 na cidade de Salvador, Bahia

Resumo

Introdução: A infecção pelo vírus linfotrópico da célula T humana do tipo 1 (HTLV-1) pode ocorrer por via sexual, vertical, especialmente pela amamentação, ou por transfusão de hemoderivados contaminados. Em áreas endêmicas, observa-se uma disseminação intrafamiliar, perpetuando a infecção silenciosamente ao longo de gerações. No entanto, são escassos os estudos que investigam a agregação familiar do HTLV-1, sobretudo no que diz respeito à composição familiar e às vias de transmissão envolvidas. Objetivo: Este estudo teve como objetivo caracterizar o perfil socioepidemiológico e clínico-laboratorial de indivíduos infectados pelo HTLV-1 com pelo menos um familiar também positivo para o vírus, correlacionando esses aspectos com a provável via de transmissão. Metodologia: Estudo transversal baseado na análise de prontuários de pacientes com familiares infectados pelo HTLV-1 atendidos em um centro de referência. Foram coletados dados sociodemográficos, clínicos e laboratoriais. O critério de inclusão envolveu ter exames com confirmação laboratorial da infecção e ter mais de um familiar positivo matriculado no centro. Casos com prontuário incompleto ou sem confirmação da infecção foram excluídos. Após análise descritiva, a amostra foi dividida conforme a via de transmissão (sexual ou vertical), e comparações entre os grupos foram realizadas pelos testes qui-quadrado de Pearson e exato de Fisher (variáveis categóricas), e pelos testes U de Mann-Whitney e T de Student (variáveis numéricas), considerando p<0,05 como significativo. Resultados: Foram incluídos 176 núcleos familiares, totalizando 399 indivíduos. Houve predomínio do sexo feminino (62%) e a mediana de idade foi de 48 anos (IIQ: 34–61). A maioria dos participantes estava em relacionamento estável (57%) e referiu ter sido amamentado (73%) e, entre as mulheres, 88% relataram ter amamentado o filho. A análise entre grupos demonstrou associação significativa entre idade avançada e via de transmissão sexual, enquanto menor frequência de sintomas neurológicos e urinários foi associada à via vertical (p < 0,05). Em 80% dos núcleos, havia dois membros infectados. Conclusão: Os achados evidenciam a necessidade de estratégias integradas de prevenção, rastreamento e educação em saúde em áreas endêmicas.

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Palavras-chave

Infecção pelo HTLV-1. Agregação Familiar. Transmissão Familiar. Transmissão sexual.

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