Fluxograma de assistência pré-hospitalar para pacientes com suspeita de hemorragia digestiva alta no serviço móvel de urgência

Resumo

Introdução: A hemorragia digestiva alta (HDA) é uma condição gastrointestinal grave, com altas taxas morbidade, mortalidade e hospitalização em todo o mundo, especialmente em idosos com comorbidades como hipertensão arterial e uso de antinflamatórios não esteroidais ou aspirina. O manejo rápido e sistematizado é essencial para estabilização, controle do sangramento e prevenção de complicações. Embora existam sólidos protocolos hospitalares, existe lacuna na assistência préhospitalar desses pacientes. Este estudo propõe um fluxograma para orientar as equipes de atendimento inicial/pré-hospitalar de urgência a pacientes com suspeita de HDA. Objetivos: Compreender as práticas de assistência pré-hospitalar para pacientes com hemorragia digestiva atendidos no serviço móvel de urgência e elaborar um fluxograma de assistência pré-hospitalar para o atendimento a casos de hemorragia digestiva alta no âmbito do serviço público de urgência. Método: trata-se de um estudo observacional, de corte transversal e abordagem quantitativa, realizado por meio de pesquisa retrospectiva com dados secundários provenientes das ocorrências registradas pelo SAMU de Salvador (Bahia, Brasil) no ano de 2022. Foram incluídos todos os pacientes que acionaram o serviço pelo número 192 com sintomas sugestivos de hemorragia digestiva. Após refinamento dos registros, analisaram-se variáveis como idade, sexo, comorbidades, queixa clínica, anamnese, exame físico, sinais vitais, condutas orientadas e desfecho da ocorrência. A análise estatística foi realizada no software SPSS, com aplicação do Teste de Shapiro-Wilk para definição de normalidade e do Teste Qui-Quadrado de Pearson para associação entre variáveis, considerando p<0,05 como significativo. Na segunda etapa, desenvolveu-se um fluxograma de assistência pré-hospitalar para HDA, fundamentado nos achados do estudo, em diretrizes nacionais e internacionais, utilizando o método ABCDE. Resultados: Foram analisados 189 atendimentos pré-hospitalares registrados pelo SAMU de Salvador em 2022, com média de idade de 65,5 anos e predominância do sexo masculino (60,3%). As comorbidades mais comuns foram hipertensão arterial (34,9%) e etilismo (22,2%). Hematêmese foi a queixa principal (69,8%) e sinais de choque hipovolêmico ocorreram em 41,8%, sendo tratados principalmente com cristaloides (86,7%). A administração de IBPs foi observada em apenas 24% dos casos com HDA inferida. A mortalidade foi de 2,6%, com 95,2% dos pacientes removidos para unidades de referência. Os achados reforçam a importância de um fluxograma sistematizado para o manejo da HDA no ambiente pré-hospitalar, considerando o perfil clínico, as comorbidades, o uso de medicamentos ulcerogênicos e as limitações encontradas no registro e execução das condutas. Conclusão: O estudo evidencia a importância de um atendimento pré-hospitalar otimizado na hemorragia digestiva alta, com foco no reconhecimento precoce de sinais de gravidade, na adoção de condutas iniciais adequadas e no rápido encaminhamento dos pacientes. Os achados reforçam a necessidade de protocolos específicos, visando reduzir complicações e mortalidade.

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Palavras-chave

Hemorragia Gastrointestinal, Varizes Esofágicas e Gástricas, Serviços Médicos de Emergência, Assistência pré-hospitalar

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