O cuidador familiar de idosos com demência: entre o cuidado e a sobrecarga

Resumo

Introdução: A demência, um Transtorno Neurocognitivo (TNC), compromete funções como memória e raciocínio, afetando majoritariamente idosos. Diante da limitação de assistência institucional, o cuidado desses idosos geralmente recai sobre seus familiares, que assumem tarefas desde atividades diárias até a gestão emocional, muitas vezes sem suporte ou remuneração. Assim, o avanço da doença traz um impacto significativo na vida desses cuidadores, alterando suas rotinas, relações pessoais e, em muitos casos, condições financeiras. Muitos abandonam seus empregos para se dedicarem integralmente ao cuidado, enfrentando sobrecarga física, emocional e social, o que acarreta custos indiretos relacionados à saúde, pois esses cuidadores muitas vezes acabam negligenciando seu próprio bem-estar. Considerando o envelhecimento populacional e o aumento da prevalência da demência, é essencial compreender as condições enfrentadas pelos cuidadores familiares a fim de subsidiar políticas públicas e estratégias de suporte que promovam práticas de cuidado mais integrais a essa população. Objetivos: O objetivo primário deste estudo foi analisar a sobrecarga física e mental enfrentada por cuidadores familiares de idosos com demência. Como objetivos secundários, buscou-se identificar as demandas de cuidado e autocuidado desses cuidadores, compreender o “luto simbólico” frequentemente relatado por eles, investigar os aspectos positivos e negativos relacionados ao papel do cuidador e examinar os fatores envolvidos na normalização da condição de cuidador no ambiente familiar, com ênfase no papel feminino. Metodologia: Esse estudo apresenta uma abordagem mista, com métodos qualitativos e quantitativos, e desenho observacional tipo descritivo. Os participantes, cuidadores familiares de idosos com demência de Salvador-BA, foram recrutados por amostragem "bola de neve". Foram utilizados o Inventário de Sobrecarga de Zarit (ZBI), aplicado presencialmente ou online, para análise quantitativa de sobrecarga e variáveis demográficas, e entrevistas semiestruturadas para explorar qualitativamente as experiências e os desafios desses cuidadores. A análise qualitativa foi realizada com base na Análise de Conteúdo de Bardin, enquanto a análise quantitativa foi realizada através do Excel (versão 2016). Resultados: Este estudo contou com 11 cuidadores familiares de idosos com demência. O perfil sociodemográfico revelou uma predominância do gênero feminino (81,8%), com idade média de 57 anos, sendo a maioria filhos(as) (81,8%). O tempo médio de cuidado foi de 8 anos. A avaliação da sobrecarga, por meio do ZBI, apontou uma pontuação média de 61,1, indicando níveis predominantemente elevados. Da análise de conteúdo emergiram, em maior número de unidades de registro, as seguintes categorias: os “Recursos de enfrentamento e resiliência”, as questões de “Sobrecarga e Suporte Familiar”, e as “Reflexões sobre perdas e vínculos”. Conclusão: O cuidado familiar ao idoso com demência é uma experiência complexa, marcada por uma sobrecarga multifacetada (física, emocional e social), mas que coexiste com importantes recursos de enfrentamento e resiliência. O estudo reforça a necessidade de políticas públicas e intervenções de saúde que ofereçam suporte estrutural e emocional aos cuidadores, visando não apenas reduzir a sobrecarga, mas também fortalecer suas estratégias de resiliência para um cuidado equitativo e sustentável.

Descrição

Palavras-chave

sobrecarga, saúde mental, cuidadores familiares, idosos, demência.

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