Saúde mental na atenção primária em ambulatório docente assistencial – Busca de estratégia para melhoria do cuidado

Resumo

Introdução: A saúde mental é uma das principais preocupações, no âmbito mundial, no campo da saúde pública, com destaque para um cenário marcado pelo aumento significativo de transtornos mentais, como ansiedade, depressão e outros distúrbios relacionados. A Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que cerca de 1 bilhão de pessoas viviam com algum transtorno mental em 2019, um número que aumentou substancialmente durante a pandemia de COVID-19. Nesse contexto, devido ao crescente reconhecimento de seu impacto na qualidade de vida os serviços da Atenção Primaria à Saúde têm empreendido esforços para oferecer estratégias acessíveis e eficazes, por ser o ponto de entrada nos sistemas de saúde que desempenha papel fundamental na promoção de um cuidado mais holístico e centrado no paciente. Objetivo: Propor uma estratégia para aprimorar a gestão do cuidado oferecido a pacientes com indícios de transtornos mentais em um ambulatório de Atenção Primária à Saúde docente-assistencial. Método: Trata-se de uma pesquisa observacional, tipo corte transversal, analítico, com dados secundários. Foi realizada a análise de dados dos prontuários de pacientes atendidos no ambulatório docente assistencial da comunidade (AC) da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP), atendidos entre janeiro de 2022 e janeiro de 2023. Das 2131 ocorrências de atendimento no período estabelecido, para o cálculo amostral foi utilizado o OpenEpi (disponível em www.openepi.com), em que foi estimado amostra de 326 consultas, considerando um intervalo de confiança de 95%, destes foram coletados dados de 292 consultas. A amostra foi do tipo probabilística. Como critérios de inclusão foram elegíveis pacientes maiores de 18 anos que apresentassem queixa ou diagnosticados com ansiedade, depressão, insônia e/ou transtornos de personalidade. Os dados foram analisados no Programa SPSS (Statistical Package for the Social Science), sendo utilizados frequências e percentuais para apresentação das variáveis categóricas e, média, desvio padrão e/ou mediana e intervalo interquartil para variáveis continuas, a depender do padrão de normalidade, que foi avaliado através do teste Shapiro Wilk. Para comparação de médias independentes foi aplicado o teste T e Student e de qui-quadrado para comparar proporções das variáveis categóricas. O nível de significância estatística adotado foi valor de p < 0,05. Resultados: A partir dos resultados foi possível verificar uma prevalência significativa de transtornos mentais, atingindo 24,7% dos pacientes. Os transtornos mais comuns foram a ansiedade (44,4%), depressão (23,7%) e distúrbios de personalidade (5,5%). O estudo revelou, ainda, uma predominância do sexo feminino (90%) no grupo com transtornos mentais, corroborando com a literatura. A análise sociodemográfica mostrou uma diferença estatisticamente significativa na média de idade entre os grupos, sendo o grupo com transtornos mentais mais jovem (52 ± 14,6) em comparação ao grupo sem transtornos (58 ± 15,8), p = 0,003. Conclusão: Conclui-se que a Atenção Primária à Saúde deve estar plenamente apta ao acompanhamento dos transtornos mentais, oferecendo capacitação as equipes de saúde para lidar com essa demanda crescente. Assim propõe-se a implementação de um modelo educacional que poderá contribuir significativamente para a melhoria do seguimento destes pacientes, tendo em vista o público alvo (graduandos, residentes e preceptoria), na perspectiva de melhoria da qualidade de vida dos pacientes atendidos.

Descrição

Palavras-chave

Saúde Mental. Gestão da Saúde da População. Atenção Primária à Saúde

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