A percepção dos discentes de saúde sobre a aplicação da inteligência artificial na prática profissional

Resumo

Introdução: A inteligência artificial tem se consolidado como uma ferramenta importante e inovadora, inclusive na saúde, onde contribui para aprimorar diagnósticos, auxiliar condutas e otimizar a organização de dados. A IA pode transformar a prática em saúde e a interação com pacientes, exigindo que profissionais desenvolvam competências específicas para seu uso. No entanto, ainda se sabe pouco sobre o conhecimento e a percepção dos estudantes da área em relação à IA, especialmente no contexto brasileiro. Objetivo: Identificar a percepção que os discentes de saúde têm sobre a inteligência artificial (IA) e sua aplicabilidade em ambiente profissional. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal, observacional e descritivo, realizado com estudantes de fisioterapia, medicina, odontologia, psicologia, biomedicina, educação física e enfermagem da EBMSP. Foi feito um questionário dividido em três partes: a primeira abrangendo dados sociodemográficos, a segunda com perguntas sobre uso de tecnologias, e a terceira composta por afirmações e perguntas avaliando conhecimento e percepções a respeito da IA na saúde. Todos assinaram o TCLE e preencheram o questionário na íntegra para inclusão no estudo. Análise estatística pelo SPSS-14. Resultados: O tempo médio diário de uso de tecnologias foi de 7 horas e 83,6% dos participantes relataram uso diário de ao menos uma ferramenta de IA. Embora 66,4% se considerem tecnologicamente capacitados, 87,5% classificam seu entendimento sobre IA como mediano ou baixo; ainda assim, 79% afirmaram interesse em compreender seu funcionamento. Quanto ao uso da IA na saúde, 96,9% relataram conhecimento mediano (42,2%), baixo (35,2%) ou muito baixo (19,5%). Mas, mesmo com conhecimento limitado, 76,5% revelaram interesse em aprender sobre sua aplicação profissional e 39,9% sentem-se preparados para utilizá-la profissionalmente. Apenas 24,2% relataram contato com o uso de IA na saúde, 28,9% participaram de alguma atividade acadêmica sobre o tema e 12,5% realizaram pesquisa acadêmica relacionada. Além disso, 69,5% acreditam que a IA melhorará a precisão diagnóstica, 53,9% que ampliará a acessibilidade aos serviços, 40,6% que elevará a qualidade do atendimento e 32,9% que reduzirá os custos na saúde; 32,1% afirmam que o cenário atual e futuro da IA influencia na escolha da especialidade, mas somente 19,5% acreditam que a IA substituirá empregos em sua área. Inclusive, 45,4% consideram seu uso atual importante ou muito importante, subindo para 71,9% para a IA em 5 anos. Ademais, 82,1% defendem o treinamento de futuros profissionais de saúde no uso da IA e, para 70,3% dos participantes; já 21,9% veem riscos futuros com seu uso. Além disso, 75,8% pretendem utilizar IA na prática profissional, e 64% defendem sua inclusão na grade curricular dos seus cursos. Conclusão: Os discentes demonstraram familiaridade com tecnologias e contato diário com a IA, mas relataram conhecimento limitado sobre o tema, especialmente se aplicado à saúde. Os acadêmicos veem a IA na saúde positivamente e acreditam que seu impacto crescerá no futuro. A maioria não acredita que a IA substituirá profissionais de sua área e demonstra interesse em utilizá-la na prática profissional. No entanto, há carência de discussão acadêmica sobre o tópico, sendo sua implementação curricular defendida pela maioria.

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Palavras-chave

Inteligência Artificial, Saúde, Estudantes de saúde, Tecnologia

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