Falha da ventilação não invasiva e uso de ventilação mecânica em pacientes da UTI

Resumo

Introdução. A falha da ventilação não invasiva (VNI) e a necessidade de transição para ventilação mecânica (VM) em pacientes críticos representam um desafio significativo nas unidades de terapia intensiva (UTI), com impacto direto na morbimortalidade e custos hospitalares. Objetivo. Este estudo teve como objetivo avaliar os fatores associados à falha da VNI e à necessidade de VM em pacientes internados em um hospital geral de Salvador-Bahia, entre junho de 2015 e abril de 2024. Material e métodos. Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo, que analisou dados de 6.619 pacientes, dos quais 607 receberam VNI na admissão. Foram excluídos 22 casos por informações incompletas ou idade inferior a 18 anos. Os dados clínicos e laboratoriais foram coletados do sistema Epimed Monitor UTI e analisados no SPSS (versão 25), com testes estatísticos descritivos e inferenciais (teste t de Student, Mann-Whitney, Qui-quadrado). Resultados. Os resultados demonstraram que pacientes que evoluíram para VM apresentaram maior gravidade clínica (escore SAPS3 57 vs 52 pontos; p<0,001), leucocitose (14,8 vs. 11,4 cel/mm³; p=0,001), lactato elevado (1,9 vs 1,4 mmol/L; p<0,001) e relação PaO2/FiO2 reduzida (260 vs. 286 mmHg; p=0,048), além de maior tempo de internação hospitalar (18 vs. 12 dias; p=0,014) e mortalidade (38.9% vs. 19.1%; p<0,001). O rebaixamento do nível de consciência foi mais frequente no grupo de falha (65.7% vs. 41.6%; OR: 2,69; p<0,001). Conclusão. Este estudo demonstrou que a identificação precoce de marcadores como SAPS3 elevado, leucocitose e hipoxemia refratária, aliada à avaliação contínua do nível de consciência, contribui para discussão teórico-prática de protocolos clínicos para transição ágil à VM, reduzindo complicações e melhorando desfechos.

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Palavras-chave

Ventilação mecânica, Ventilação não invasiva, Insuficiência respiratória

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