Práticas de simulação no ensino da nutrologia no curso de medicina

Resumo

A Nutrologia, especialidade médica que explora a relação entre nutrientes e doenças, vem ganhando crescente relevância frente ao aumento de doenças crônicas associadas a comportamentos alimentares inadequados. Apesar de seu impacto significativo na saúde pública e nos custos assistenciais, o ensino da Nutrologia na formação médica é frequentemente negligenciado, levando à insegurança dos recém-formados em fornecer orientação nutricional. Diante desse cenário, estratégias inovadoras como a simulação emergem como ferramenta promissora para aprimorar o aprendizado e desenvolver competências clínicas. Este estudo teve como objetivo geral avaliar a inserção da simulação clínica para ensino da Nutrologia na formação do médico generalista, estruturada por competências, em uma instituição de ensino superior na Bahia. Especificamente, buscou identificar o conhecimento dos estudantes de Medicina em Nutrologia antes do internato e a percepção do aprendizado após atividade de simulação clínica. Trata-se de um estudo de intervenção quase experimental (não randomizado, do tipo antes e depois) realizado com 116 estudantes do 9º semestre de Medicina da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública. Os dados foram coletados por meio de questionários online, aplicados em dois momentos: antes e após uma intervenção educacional que consistiu em uma trilha pedagógica assíncrona com videoaulas e uma atividade presencial de simulação clínica de duas horas, focada na aplicação prática de conceitos de Nutrologia. A análise estatística utilizou o teste de Wilcoxon para comparar os escores antes e depois da intervenção, com nível de significância de p < 0,05. Os resultados demonstraram que 75,81% dos estudantes previstos concluíram todas as etapas. O perfil sociodemográfico da amostra revelou uma média de idade de 23,7 anos e predominância feminina (71,2%). Houve um aumento estatisticamente significante (p<0,001) na segurança percebida pelos estudantes em relação ao conceito de Nutrologia e à sua aplicação no cotidiano do médico generalista, bem como na identificação de riscos nutricionais e fornecimento de orientações nutricionais básicas. Observou-se também uma mudança significativa na percepção da importância da Nutrologia na graduação, com os estudantes indicando a necessidade de maior exposição ao tema e de treinamento específico. Em relação à percepção do aprendizado, cinco dos onze itens apresentaram melhora estatisticamente significante: compreensão da idade como fator de risco isolado para desnutrição, a via oral como primeira via alimentar a ser avaliada, o papel dos suplementos orais, o risco nutricional do paciente jovem e eutrófico pós-trauma e o uso do trato gastrointestinal como via alimentar primária. Em alguns casos, essa variação foi de concordância parcial para total, indicando uma maior convicção em conceitos já conhecidos. Os estudantes também demonstraram forte valorização do trabalho interprofissional. Conclui-se que a simulação clínica representa uma ferramenta pedagógica eficaz para preencher lacunas no ensino da Nutrologia, aumentando a segurança e confiança dos futuros médicos. A pesquisa reforça a urgência de integrar o conhecimento de Nutrologia de forma mais robusta nos currículos de graduação, por meio de metodologias ativas e da ampliação da carga horária, visando uma formação médica mais completa e capacitada para a promoção da saúde e o tratamento eficaz de pacientes, com impacto positivo tanto na atenção hospitalar quanto na atenção primária à saúde, e incentivando a manutenção do aprendizado a longo prazo.

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Palavras-chave

Nutrologia, Simulação, Educação Médica, Competências, Currículo Médico

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