Impacto dos indicadores sociais na mortalidade hospitalar por neoplasias do sistema nervoso central em pacientes pediátricos no sistema único de saúde no Brasil de 2013 – 2023

Resumo

Introdução: Os tumores do Sistema Nervoso Central (SNC) são a segunda maior incidência e a principal causa de mortalidade entre os cânceres na população pediátrica. Apesar da relevância, existem lacunas no conhecimento sobre o perfil epidemiológico e a assistência a esses pacientes no país, especialmente em relação ao impacto dos indicadores sociais na taxa de mortalidade hospitalar desses pacientes atendidos no Sistema Único de Saúde (SUS). Objetivos: Analisar as internações e os óbitos hospitalares por neoplasias malignas do SNC em crianças e adolescentes (0 a 19 anos) atendidos pelo SUS no Brasil, no período de 2013 a 2023, correlacionando as taxas de mortalidade hospitalar com indicadores socioeconômicos regionais (Índice de Gini, IDHM e PIB). Metodologia: Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e temporal com dados de morbidade e mortalidade hospitalar do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS - DATASUS) e indicadores sociais para o período de 2013 a 2023. Foi calculada a correlação de Spearman (ρ) entre a taxa de mortalidade hospitalar e o Índice de Gini, o IDHM e o PIB das cinco macrorregiões brasileiras. Resultados: Foram registradas 43.760 internações e 2.340 óbitos hospitalares por neoplasias do SNC. As regiões Norte e Nordeste, com os piores indicadores sociais, apresentaram as menores taxas de internação e as maiores taxas de mortalidade hospitalar. Em contraste, as regiões Sul e Sudeste registraram maior incidência e menor mortalidade. O teste de correlação de Spearman revelou uma correlação positiva moderada com o Índice de Gini (ρ =0.678) e uma correlação inversa forte com o IDHM (ρ =-0.590), com valores de p<0.05. O PIB apresentou uma correlação positiva moderada (ρ =-0.401), porém estatisticamente limítrofe (p=0,057). Conclusão: As desigualdades regionais no Brasil se refletem nos desfechos oncológicos pediátricos, indicando que a equidade social (Gini e IDHM) é um preditor mais robusto de mortalidade do que a riqueza regional (PIB). As baixas taxas de internação em regiões mais vulneráveis sugerem subnotificação e barreiras de acesso, enquanto as altas taxas de mortalidade revelam iniquidades na qualidade e na oportunidade do cuidado especializado.

Descrição

Palavras-chave

Tumores do Sistema Nervoso Central, Câncer Pediátrico, Mortalidade Hospitalar, Iniquidade em Saúde, Indicadores Sociais

Citação