Prevalência de HTLV-1 em gestantes e alterações gestacionais no intercurso da infecção na Bahia

Resumo

Introdução: A infecção pelo HTLV em gestantes tem alta prevalência na Bahia. As vias de transmissão são semelhantes às do HIV, embora a falta de tratamento específico para o HTLV promova ainda maior preocupação com a via de transmissão vertical e necessidade de reconhecimento de características da gestação que colaborem com estratégias de prevenção. Objetivos: Determinar a prevalência da infecção por HTLV-1 em gestantes da Bahia e as alterações gestacionais associadas à infecção. Métodos: Estudo de coorte retrospectiva, sendo infecção pelo HTLV (quimiluminescência confirmado por Western Blotting-WB) como fator de exposição. A primeira coorte foi formada por gestantes testadas no Laboratório Central de Saúde Pública da Bahia (LACEN-BA) identificadas pelo cruzamento dos bancos Gerenciador de Ambiente Laboratorial - GAL, Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos - SINASC, Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM no período de 2017-2022. A segunda coorte avaliou gestantes atendidas em uma maternidade escola de Salvador. Foram determinadas prevalência, taxa de testagem e as características da díade gestante/ recém-nascido no parto. Resultados: Na Bahia, 64.821 gestantes foram identificadas para o estudo. A prevalência de HTLV-1 entre gestantes foi de 0,7% (442/64821). O principal subtipo foi o HTLV-1 com 383 casos, tendo prevalência de 0,6%, seguido da coinfecção HTLV-1 e 2, 41 casos (0,1%), 11 (0,02%) sem subtipo identificado, 7 (0,01%) para HTLV-2 e 106 (0,2%) com WB indeterminado. Observouse uma variação de prevalência entre as regiões, com taxas de 0% a 7,82%, formando aglomerados em algumas áreas (sendo as maiores prevalências nas regiões de saúde de Valença, Salvador e Ilhéus). A taxa de testagem global na Bahia foi de 6,93%. Foi observado variação no número de partos e abortamentos (p<0,01), com predominância de mais gestações nas portadoras de HTLV. A avalição das gestantes da maternidade indicou que gestantes infectadas tiveram maior prevalência de distúrbios metabólicos (11,5 vezes), hipertensão/eclâmpsia (5,6 vezes), asma e restrição de crescimento intrauterino (9 vezes) em comparação com não infectadas. Infecções (6,6 vezes), doenças sexualmente transmissíveis (13 vezes), incompetência cervical e ruptura prematura de membranas (3 vezes) foram mais frequentes entre as não infectadas. Gestantes infectadas apresentaram mais parto prematuro e resultados adversos, principalmente em distúrbios metabólicos, mas sem significância estatística. Também foram observadas lacunas no acesso a intervenções preventivas, como diagnóstico pré-gestacional e informações sobre a fórmula láctea. Conclusão: A prevalência de HTLV-1 entre gestantes na Bahia apresentou grande variação regional. Embora as diferenças nos resultados alterações gestacionais não tenham sido significativas, as complicações associadas ao HTLV-1 exigem maior atenção. O estudo destaca a necessidade de políticas públicas voltadas à melhoria do acesso ao diagnóstico precoce e a intervenções preventivas, além da continuidade da pesquisa sobre estratégias terapêuticas para reduzir a transmissão vertical e melhorar os resultados maternos e neonatais.

Descrição

Palavras-chave

HTLV, Infecção, Gestante, Prevalência, complicações na gravidez

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