Aplicação da ressonância magnética cardíaca na cardiopatia reumática crônica: um estudo de corte transversal

Resumo

Introdução: A Cardiopatia reumática crônica (CRC) é a forma mais grave da febre reumática, acometendo principalmente as válvulas cardíacas, podendo deixar sequelas e levar a óbito. A ressonância magnética cardíaca (RMC) tem estabelecida capacidade de caracterizar o tecido miocárdico na identificação de fibrose miocárdica assim como em detectar disfunções valvares e quantificá-las com acurácia e precisão satisfatória. Objetivo: Investigar e caracterizar a presença da fibrose miocárdica em pacientes portadores de CRC com a técnica de realce tardio miocárdico pela RMC e correlacionar os achados com critérios prognósticos. Métodos: Pacientes maiores de 18 anos portadores de CRC atendidos no ambulatório de valvopatia do Hospital Santa Izabel (Salvador- Bahia) tiveram história clínica colhida e foram submetidos ao exame de ressonância magnética cardíaca com sequências dedicadas para avaliação miocárdica e valvar. Foram considerados portadores de CRC quando apresentavam história clínica de febre reumática (critérios de Jones) e achados ecocardiográficos característicos de envolvimento reumático valvar crônico. Foi avaliado a presença e o padrão de distribuição do realce tardio miocárdico (RTM), os volumes cavitários, função ventricular e acometimento valvar. Dados clínicos e demográficos foram comparados entre os grupos com e sem fibrose. Os achados da RMC foram comparados ao ecocardiograma (ECO). Considerado estatisticamente significante p < 0,05. Resultados: Foram estudados 28 pacientes com CRC com idade média de 41 ±13 anos. RTM foi detectado em 16 (57,1%) pacientes, sendo mais frequente nos indivíduos com idade mais avançada e com fração de ejeção do ventrículo esquerdo reduzida. O padrão de acometimento valvar mitral e aórtico pela RMC e ECO foram moderadamente concordantes, a estenose mitral apresentou concordância substancial entre os métodos. Conclusão: Em uma população de pacientes com CRC, fibrose miocárdica foi prevalente, sendo o padrão de realce tardio mesocárdico o mais predominante e as parede inferosseptal e inferolateral médio-basal as mais acometidas. Ademais, a avaliação da função valvar mitral e aórtica apresentou boa concordância entre os achados da RMC e do ECO.

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Palavras-chave

Cardiopatia reumática. Ressonância magnética cardíaca. Realce tardio miocárdico. Fibrose miocárdica

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