Saúde da população negra e cuidados paliativos oncológicos em Salvador/BA: A percepção dos profissionais em uma unidade de terapia intensiva
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Introdução: Na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) existem processos que influenciam na tomada de decisão a respeito do direcionamento e formas de comunicação para os cuidados paliativos. Na literatura é possível encontrar alguns desses marcadores que atravessam essa temática, sendo alguns deles a dificuldade de acesso da população aos serviços de saúde, principalmente pela População Negra, a distanásia, obstinação terapêutica, além do processo da formação do profissional, trazendo junto a isso o caráter da identidade pressuposta, podendo atravessá-los no ambiente de trabalho. Sabendo disso, o trabalho apresentado tem sua relevância a partir do momento em que esses indicadores anteriormente citados afetam negativamente os pacientes e suas famílias no que diz respeito ao acesso a esse tipo de cuidado. Objetivo: Compreender a percepção dos profissionais da Unidade de Terapia Intensiva sobre os cuidados paliativos oncológicos na saúde da população negra. Método: Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa exploratória e observacional, com abordagem etnográfica. Foi feita uma revisão bibliográfica em conjunto com coleta de dados através de entrevistas e diário de campo durante as etapas da pesquisa. O estudo obedeceu às normas e regras da Resolução 466/12 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa por lidar diretamente com seres humanos. Resultados e discussão: A relação entre as demandas e especificidades das tomadas de decisão em relação ao paciente grave e o encaminhamento e as formas de comunicação para os cuidados paliativos é atravessada por marcadores sociais, como raça e classe. Os profissionais que atuam nas tomadas de decisão afirmam que a discussão de cuidados paliativos ainda carrega muitos estigmas, não sendo feita também a discussão interseccional de raça e da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra nos momentos de discussão de caso, sendo que, no local de trabalho, em uma amostra dos anos 2018-2023, de um total de 2.972 pacientes internados, 2.688 faziam parte da população negra. Considerações Finais: Os estudos na área de Cuidados Paliativos, apesar de terem avançado muito, se encontram ainda permeados por barreiras sociais, estruturais, éticas e culturais, conjunto esse que impede o cuidado adequado para o paciente em final de vida. Compreendendo a complexidade desse assunto, é necessário entender de quem se cuida. A população da cidade de Salvador-BA é composta majoritariamente pela população negra e é de extrema urgência que se tenha um olhar atento e uma escuta ativa para com as demandas da população para que assim se construa uma sociedade com mais equidade nos acessos aos serviços de saúde.
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Palavras-chave
Cuidados Paliativos, UTI, Saúde da População Negra.