Atravessando uma internação de longa permanência: os cuidados a pacientes onco-hematológicos e seus familiares
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Resumo
O presente relato de experiência tem como objetivo compreender os impactos psicológicos da internação de longa permanência em pacientes oncohematológicos, bem como refletir sobre o sofrimento vivenciado por seus familiares e os cuidados possíveis sob a ótica da Psicanálise. Realizado a partir de um estágio supervisionado em Psicologia Hospitalar em uma unidade pública de alta complexidade na Bahia, o trabalho acompanhou pacientes com leucemias, linfomas e mieloma múltiplo em tratamento quimioterápico. Observou-se que a hospitalização prolongada provoca efeitos significativos na subjetividade dos pacientes, tais como sentimentos de aprisionamento, perda de autonomia, despersonalização e angústia frente à finitude. A escuta psicanalítica, nesse contexto, surge como dispositivo fundamental para acolher o sofrimento e permitir a elaboração simbólica da dor. Além disso, o estudo destaca a sobrecarga emocional, física e social enfrentada por familiares que assumem o cuidado durante a internação, também submetidos a uma espécie de hospitalização. As intervenções com acompanhantes priorizaram o acolhimento das angústias, promovendo o reconhecimento de suas dores e incentivando práticas de autocuidado. A experiência aponta para a relevância do trabalho analítico no hospital, evidenciando que, diante de uma demanda de escuta, é possível sustentar um espaço de subjetivação em meio à lógica medicalizante. Conclui-se que a Psico-oncologia, especialmente em interface com a Psicanálise, pode favorecer a ressignificação das vivências de adoecimento e hospitalização, contribuindo para um cuidado mais humano e integral.
Descrição
Palavras-chave
Onco-hematologia, Internação Prolongada, Sofrimento Psíquico, Psico-oncologia